Até à década de 60 do século XX, Portugal era um país predominantemente rural. Viver no campo era a experiência quotidiana da grande maioria dos portugueses. Porém, ao longo das últimas décadas, essa realidade transformou-se radicalmente, à medida que a população se concentrava numa estreita faixa litoral fortemente urbanizada. Para muitos o campo tornou-se um lugar distante, conhecido através das férias passadas “na terra”, das notícias sobre colheitas destruídas pela seca ou do marketing do turismo rural.
Vida no Campo,
Álvaro Domingues
Até à década de 60 do século XX, Portugal era um país predominantemente rural. Viver no campo era a experiência quotidiana da grande maioria dos portugueses. Porém, ao longo das últimas décadas, essa realidade transformou-se radicalmente, à medida que a população se concentrava numa estreita faixa litoral fortemente urbanizada. Para muitos o campo tornou-se um lugar distante, conhecido através das férias passadas “na terra”, das notícias sobre colheitas destruídas pela seca ou do marketing do turismo rural.
O Preço da Imortalidade:
Cem anos depois de Bram Stoker
Detesto vampiros. Aliás, tenho mesmo de confessar: já não posso com vampiros nem lobisomens. Não da mesma forma que odeio cobras – o meu medo de morte. Não, o que se passa com vampiros, lobisomens e demais mitologias antropomórficas (das quais, por agora, vou excluir mortos-vivos por causa do bastante razoável The Walking Dead) é que já me merecem o mesmo respeito e paciência que uma boys band. No entanto, ao contrário destas bandas, um dia os vampiros já foram interessantes. E digo mais, sem grande pejo, um dia os vampiros já revolucionaram a literatura.
A Zona de Desconforto,
Jonathan Franzen
Com os dois romances de Jonathan Franzen (n. 1959) muito bem recebidos pela crítica e leitores portugueses, A Zona de Desconforto (2006) pode ser entendido como um terceiro romance ou como material novo – há que educar a expectativa e olhar para este livro como sendo complementar tanto ao Correcções (2001) como ao Liberdade (2010). Porque é essa a sua função: reconfirmar uma suspeita de que as personagens de Franzen derivam de pessoas com que se relaciona ou relacionou (familiares e amigos).
Os Prazeres e os Dias,
Marcel Proust
Seria uma analogia válida comparar a primeira cabana construída por um arquitecto, que depois construiu um dos maiores monumentos do século XX, a Os Prazeres e os Dias? Porventura, mas Marcel Proust não edificou apenas um colosso, pois ao longo de sete volumes de Em Busca Do Tempo Perdido redefiniu a paisagem de épocas vindouras, focando-se na mobilidade social das classes que a sua infância lhe comunicava.
A Luz em Agosto,
William Faulkner
Mais conhecido por romances como O Som e a Fúria e Absalão, Absalão!, William Faulkner explora de forma magistral em Luz em Agosto alguns dos temas que formarão o núcleo mais significativo da sua obra: a vivência das gentes do sul dos Estados Unidos, a herança da guerra civil, as questões da raça e as suas implicações sociais e morais na vida das populações. A religião tem também o seu peso relativo bem vincado, quer através da culpabilização das acções pelo pecado, quer através de referências ainda mais subtis como símbolos de cariz religioso e passagens mescladas da Bíblia no texto narrativo.
«O pior não é morrer»:
Na morte de Millôr Fernandes
Eu estava onde habitualmente costumo estar: no bar. A noite convidava à animada desgraça. Os amigos (e as amigas) ajudavam ao sentimento. A cerveja também. Era uma noite igual a tantas outras. Discuto. Noite que é noite requer discussão. Quem é maior? Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi? Messi. Sem dúvida. E preparava eu desenvolvimento à poderosa e infalível afirmação quando eis que bate no telemóvel mensagem de amigo ausente e consciencioso: «Então, morreu o Millôr Fernandes?». Morreu? Morreu.
